quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Desaniversário

É importante que você saiba de duas coisas: a primeira é que meu guarda-roupa tem uma gaveta.

A segunda é que eu não ligo para aniversários. Aliás, não fosse pelo inferno astral, algumas marquinhas de expressão mais evidentes e minha priminha - que até ontem era um bebê - dizer que está namorando, talvez eu nem me desse conta que fico mais velha a cada ano.

Eu gosto mesmo é da festa dos outros. E amo quando esse outro é uma criança e a festinha é no Buffet. Mas ano passado tive a brilhante idéia de reunir a família para comemorar meus vinte e um aninhos. Essas reuniões costumam render algumas calcinhas para o dia-a-dia, um creminho pra mão e uma ou outra tranqueirinha divertida.

A organização exige cuidado e atenção: bolinho de padaria, amendoins em tigelinhas e refrigerante para as crianças. A recepção e o papo furado com suas tias avós fica a cargo da mamãe. Os assuntos vão de doença a geladeira da vizinha.

E no meio de tanta diversão você abre aquele embrulho contendo uma camiseta verde, com uma abóbora e aquela frase em inglês do Paraguai na cor neon fluorescente.

Sua avó elogia, a prima solteirona garante que ficou certinho e sua mãe manda você agradecer como se tivesse seis anos de idade.

Não adianta trocar, doar para a os desabrigados do Tsunami ou dizer que foi assaltada e entregou o presente em troca de sua vida.

Quem deu um presente ruim nunca esquece. Nunca. Ele pergunta sobre o presente. Ele quer ver você usando. Ele realmente acha que o presente é bom.

E é por essa e por outros que eu tenho essa gaveta, para me lembrar que no ano que vem tem mais. Ainda bem!

Um comentário:

  1. Já não te dou prendas nenhumas,
    porque não sei se as irás usar.
    Dou-te antes uma palavra de força,
    escreves bem podes continuar.

    FF bjs

    ResponderExcluir