Minha bolsa está sobre a mesa. A tempos eu não olhava para ela desse jeito, tão displicente, jogada ao esmo, sem eira e muito menos beira que de costume.
Ela é do tipo grande, pronta para levar todo tipo de tranqueira extremamente necessária para minha sobrevivência. Ou não. Nem sei ao certo o que há dentro dela.
Estou começando a temer aquela bolsa. Mais parece um buraco negro me encarando com todas aquelas coisas que um dia me pertenceram. Ela ri pra mim com aquele zíper dos dentes quebrados.
Ainda me lembro dela, tão novinha e inocente. Intocável.
Hoje esbarra em todo e qualquer tipo de objeto ou pessoa. Não respeita nem a si mesma.
É mesmo uma descarada de estar sobre aquela mesa. Jogando em minha cara todas as falhas e defeitos que me acometem. Todo o meu consumismo incontrolável, minha falta de atenção.
Quem ela pensa que é, ali jogada na mesa? A dona da minha vida? Me controlando, dizendo o que preciso ou não para viver?
O que ela está fazendo na mesa? Que mesa é aquela?
E quem é aquela mulher vindo em sua direção, jogando-a no ombro como eu mesma costumo fazer? Onde ela está indo? Onde minha bolsa pensa que vai? Aquele chaveiro dourado... Olha só como ela anda mostrando para tudo e todos que não se importa mais comigo. Moça! Moça, volta aqui! Socorro!
Chaveiro dourado?
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
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