Por mais que eu passe todos os dias - e noites - ao seu lado, ainda sinto como se faltasse tempo para te descobrir. Ainda parece que
não te conheço e que te descubro a cada nova palavra e a cada novo olhar. Faz
seis meses que você é todo novo, de novo, todos os dias. Do beijo de boa noite
ao beijo de bom dia, antes de você sair para o trabalho e eu dormir só mais um
pouquinho. Sabe, ainda não me acostumei com a sua mania de tomar café-da-manhã
em pé ao lado da pia da cozinha, mas sei que você já se acostumou a esquentar o
meu pé gelado sempre que me deito. Quando você me liga durante a tarde, eu não
preciso mais dos “eu te amo”, mas espero ansiosa pelo “tudo bem?”. Eu sinto você me protegendo do peso, da chuva ou da tristeza. Você me acalma,
me transforma. Você entra no meu coração tirando tudo de ruim e coloca tudo de
bom no lugar. Adoro como você conta sobre o seu dia, sem esquecer de nenhuma
vírgula porque eu gosto dos detalhes, dos parênteses, e gosto de me sentir presente,
mesmo estando em outro lugar. Sabe, amor, eu já não ligo pra louça suja na pia,
pra roupa no chão do banheiro ou pra cama desarrumada, contanto que tenha seu
ombro pra eu me deitar no fim do dia. Eu espalhei fotos do nosso casamento pela
casa porque ele ainda parece uma invenção só nossa. O dia em que eu deveria
estar nervosa e estava calma. O dia em que eu poderia chorar, mas apenas consegui
sorrir. O dia em que você me disse sim com um olhar e “eu te amo” com um beijo.
Há seis meses eu abro a porta da nossa casa e me surpreendo com uma vida inteiramente
nova. Todas as nossas diferenças, manias e sonhos, juntos no mesmo espaço. Você
já não precisa me ligar todas as noites e esperar que eu atenda, mas começou a dizer “vem aqui”, mesmo sabendo que eu nunca vou. E eu continuo insistindo
pra você comer brócolis e tomate mesmo que você ache ruim. Aliás, a gente descobriu
que não liga mais para o arroz sem sal nem pro bife queimado, desde que tenha um chocolate nos esperando no final. E todos os dias, quando
chego de trem na estação eu ainda olho meu reflexo no vidro e ajeito meu cabelo
antes de procurar o seu carro, para ter certeza de que você vai me achar bonita.
Eu continuo usando um pijama velho com chinelinho de vó porque você também tem
um chinelinho de vô. Concordamos em ser velhos que gostam de pizza de brigadeiro e dormem cedo no sábado a noite. A gente não faz questão de ser
jovem, a gente só faz questão de ficar junto. Eu querendo te encher de roupas,
você querendo me encher de beijos. E todos os dias, a gente se entende, para sempre.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
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