segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Meu segundo texto para o Fábio.

Por mais que eu passe todos os dias - e noites - ao seu lado, ainda sinto como se faltasse tempo para te descobrir. Ainda parece que não te conheço e que te descubro a cada nova palavra e a cada novo olhar. Faz seis meses que você é todo novo, de novo, todos os dias. Do beijo de boa noite ao beijo de bom dia, antes de você sair para o trabalho e eu dormir só mais um pouquinho. Sabe, ainda não me acostumei com a sua mania de tomar café-da-manhã em pé ao lado da pia da cozinha, mas sei que você já se acostumou a esquentar o meu pé gelado sempre que me deito. Quando você me liga durante a tarde, eu não preciso mais dos “eu te amo”, mas espero ansiosa pelo “tudo bem?”. Eu sinto você me protegendo do peso, da chuva ou da tristeza. Você me acalma, me transforma. Você entra no meu coração tirando tudo de ruim e coloca tudo de bom no lugar. Adoro como você conta sobre o seu dia, sem esquecer de nenhuma vírgula porque eu gosto dos detalhes, dos parênteses, e gosto de me sentir presente, mesmo estando em outro lugar. Sabe, amor, eu já não ligo pra louça suja na pia, pra roupa no chão do banheiro ou pra cama desarrumada, contanto que tenha seu ombro pra eu me deitar no fim do dia. Eu espalhei fotos do nosso casamento pela casa porque ele ainda parece uma invenção só nossa. O dia em que eu deveria estar nervosa e estava calma. O dia em que eu poderia chorar, mas apenas consegui sorrir. O dia em que você me disse sim com um olhar e “eu te amo” com um beijo. Há seis meses eu abro a porta da nossa casa e me surpreendo com uma vida inteiramente nova. Todas as nossas diferenças, manias e sonhos, juntos no mesmo espaço. Você já não precisa me ligar todas as noites e esperar que eu atenda, mas começou a dizer “vem aqui”, mesmo sabendo que eu nunca vou. E eu continuo insistindo pra você comer brócolis e tomate mesmo que você ache ruim. Aliás, a gente descobriu que não liga mais para o arroz sem sal nem pro bife queimado, desde que tenha um chocolate nos esperando no final. E todos os dias, quando chego de trem na estação eu ainda olho meu reflexo no vidro e ajeito meu cabelo antes de procurar o seu carro, para ter certeza de que você vai me achar bonita. Eu continuo usando um pijama velho com chinelinho de vó porque você também tem um chinelinho de vô. Concordamos em ser velhos que gostam de pizza de brigadeiro e dormem cedo no sábado a noite. A gente não faz questão de ser jovem, a gente só faz questão de ficar junto. Eu querendo te encher de roupas, você querendo me encher de beijos. E todos os dias, a gente se entende, para sempre.

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