terça-feira, 30 de setembro de 2014

Adeus.

Durante todas as aulas era você que eu estudava. Seus gestos, sua pele clara, o cabelo cortado curtinho, os olhos castanhos levemente puxadinhos quando você sorria, a boca carnuda e macia - como eu imaginava que deveria ser - e o perfume levemente adocicado. Por muitas e muitas vezes, deixei de lado a História do mundo para pensar na nossa.

Durante dois anos, você foi a minha matéria favorita, o amigo - e namorado - que eu gostaria de ter, mas que você nunca quis ser. Para você eu me vestia, perfumava e chorava. Para você eu tinha as respostas de todas as provas e por você eu fazia os trabalhos mais difíceis. Te dei meu coração inteiro e você quis apenas meu ombro para chorar suas desilusões baratas, com alguma das minhas amigas. Para mim tudo era simples e lindo. Para você não era nada.

Durante meus sonhos era você que eu via ao meu lado, me olhando e, realmente, me vendo. Sempre que podia, dizia a você o quanto o amava, mesmo que você nunca me ouvisse. E nunca te falei, mas acreditei em você todas as vezes em que me prometeu um beijo descompromissado. Todos os dias você zombava de mim - e do meu amor - e eu sorria. Virei especialista em te querer.

E durante toda a minha vida te levei comigo, em um canto do meu coração, protegido das desilusões desse mundo, esperando que a hora do recreio acabasse e você viesse ocupar seu lugar na minha vida para ser feliz ao meu lado. Mas você não veio. Então mudei de escola, mudei de casa, mudei o cabelo e mudei de amor. Porque um amor não correspondido é igual a uma carta que nunca chega ao seu destino. E hoje sei que enderecei meu amor à pessoa errada.  

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