quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Do outro lado do balcão.

Começou num copo. E acabou em outro. Entre eles, alguns anos foram deixados para trás. Gentilmente a bebida lhe apagava as mágoas pedindo em troca o melhor de sua juventude. O álcool entrou em suas veia gole por gole e ela se deixou levar com o coração em pedaços. No começo houve diversão, pensamentos que evaporavam pelo ar, beijos que faziam girar o céu. Toda tarde ganhava uma dose de alegria, de esperança e de amor. Os dias frios passaram a ser quentes e depois vieram as noites, as luzes, as portas de banheiro pichadas e as garrafas vazias espalhadas pelo chão. Achavam que aquilo era o frescor da juventude. Também não puderam apagar as brigas, os gritos, as lágrimas. E as noites frustrantes de sono irremediável. Deixaram de ser um casal. Deixaram de ser jovens. E também deixaram os sonhos para trás. Enquanto ele aumentou as doses ela fez crescer a distância que os separa.

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